"Quero poder andar por ai.Conhecer lugares e pessoas. Quero amar e dizer que o amor não é apenas um conto, Mais uma realidade."

segunda-feira, 9 de março de 2009

CEMITÉRIOS

"Jaz aqui meu..."
Então coloca-se o nome da pessoa, da lembrança, do sonho morto
E por vários dias, vários anos se fecham em luto,
Tiram do guarda roupa todo o vestuário negro que possuem e vestem
A vida torna-se secundaria, não há mais interesse em nada
Tudo é mórbido e sem graça,
Pois o mundo os tirou o prazer de viver, levou o que eram mais importante
Lhes venceram na batalha
Não lutam mais,
Guardam sua espada,
Os dias passam a ser agora todos em apenas derramar lágrimas
Se culparem,
Passam a ser perguntar insistentemente por que isso teve que acontecer justamente consigo
E não com aquela ou outra pessoa
Por que ao invés de milhões de outros seres no mundo tinha ser com elas
Na lapide escrevem só o necessário para se lembrarem do que esta ali em baixo a sete palmos
Pois ao passar do tempo vão enterrando mais e mais em seus cemitérios
Lembranças, sonhos, vontades, pessoas...
E assim vão construindo com o dia a dia dentro de si um reservatório de corpos,
Levantam muros, passam a cavar covas com as propias mãos
Fazem o velório, o cortejo, se despedem por alguns segundos
Nunca por muito tempo, pois sempre voltam
Não podem deixar o lugar sozinho
Ali esta enterrado tudo que é importante dentro delas
São coveiros
Visitantes que levam flores, acendem velas
Que choram sobre o túmulo
Também são exumadores quando querem desenterrar as lembranças
Querem ter a certeza que foi isso mesmo que aconteceu
Que morreu...que não voltara mais...
Mais nunca acham que vão ressuscitar
(não acreditam nisso, perderam a fé)
Apenas se conformam pela perda por que acham-se não merecedores
Se acham injustiçados e se revoltam sempre que podem
Gritam e esperneiam pelos seus mortos,
Brigam também com aqueles que não compareceram ao seu velório
Acham que pelo menos mereciam um abraço, uma palavra de conforto
Só o que não arriscam jamais a fazer é cremar o que enterram
Pois assim teriam somente o pó e não seria o suficiente para matar suas saudades
As horas que querem trazer a tona a chance que não tiveram
Que perderam,
Há ainda aqueles que tem suas gavetas particulares
Guardados ali os ossos das suas lembranças
Os restos que não querem se separar
E assim todos os dias mais e mais cemitérios são feitos
Pessoas que matam e enterram seus sonhos dentro de si mesmos,
Desistem no meio do caminho de suas missões, suas lutas pessoais
Que acham que a vida terminou por que ela ou ele morreu
Que ela ou ele lhe deixou
Que são feios,
Magros, gordos..
Pobres, dessa ou daquela região ou raça
Que por não terem braço, perna, serem cegos, mudos ou surdos...
Preferem deixarem enterrado o que em algum momento falaram estar morto
E só lhe restam é chorar...chorar...

4 comentários:

Daniel Braga disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Daniel Braga disse...

A vida é tão curta. A vida continua. A vida é uma dádiva. A vida é tão rara. O tempo não volta atrás. O tempo não pára.

~Até a próxima.
Daniel Braga.

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Adorei!

FRAN "O Samurai" disse...

Oi amigo!

Vim aqui retribuir sua visita em meu blog e quero dizer que as portas do templo sempre estarão abertas para aqueles que buscam uma palavra ou um texto para discutir ideias e desabafar.

Sobre seu texto, gostei do que li, achei profundo e pensante. Cemitérios são apenas lugares de lembranças das pessoas que deixaram marcado o seu momento na história familiar de alguém. A vida é assim mesmo, apenas um ciclo, uns morrem enquanto outros nascem e assim é o ciclo de tudo.

Abraço e voltarei.